Grecia Antiga
Sabe-se que a escravidão
esteve presente desde as primeiras civilizações ocidental. Em Atenas e Roma por
exemplo, a escravidão era a relação de trabalho mais presente. Na Idade Média,
apesar de não ter desaparecido por completo, foi muito escassa. A servidão foi
a relação.
de trabalho clássica do
feudalismo. A utilização de escravos no Brasil não foi a primeira experiência
Portuguesa nesse sentido. Quando da sua expansão pelo litoral africano, em que
praticavam o comércio de vários produtos. Consta que Antão Gonçalves, em 1441,
retornou a Lisboa com meia dúzia de africanos capturados na costa do Saara. A
partir daí, os aprisionamentos se intensificaram.
Desde o início do século
XVI, a Coroa procurou melhor organizar o tráfico de escravos, concedendo
licenças e arrendamentos.
para evitar o contrabando.
No século XVII começaram a operar as companhias de tráfico.
Grande parte dos negros
capturados onde eram levados em condições precárias para o
litoral e mantidos em barracões, onde eram tratados para melhorar o preço de venda, até serem enviados à América.
litoral e mantidos em barracões, onde eram tratados para melhorar o preço de venda, até serem enviados à América.
Antes de serem embarcados, eram batizados. A
viagem era penosa. Para evitar que se atirassem no mar, como muitos fizeram,
eram colocados no porão, que era dividido em dois pavimentos, impossibilitando
de ficarem de pé. Mal alimentados, amontoados e doentes, o sofrimento era tão
grande que muitos morriam.
A escravatura praticava-se
em África muito antes de 1500. O tráfico de escravos era praticado
paralelamente com uma contínua escravatura interna. Entre os africanos havia
escravos de família ou de “guerra”, variando de região para região o modo como
eram explorados. Após esse ano, o tráfico de escravos é agravado por uma nova
dimensão intercontinental: o transporte para as Américas com a sua
impressionante história e consequências ainda não completamente avaliadas. O
tráfico era quase sempre organizado através de “contratos” entre parceiros
comerciais europeus e africanos. O recrutamento era confiado a “contratadores”,
que adquiriam este direito mediante o pagamento de licenças. Os europeus não se
envolviam diretamente na caça aos escravos e preferiam comprá-los aos africanos
que se encarregavam de capturá-los. Os mercadores europeus permaneciam junto à
costa onde os seus parceiros comerciais acorriam para entregar de escravos
capturados em guerras ou em ataques organizados, em troca dos mais variados
objetos, em geral de pouco valor. O grande desenvolvimento do tráfico de
escravos negros, na segunda metade do século XVI, foi impelido pela necessidade
mão-de-obra para as plantações tropicais americanas principalmente de
cana-de-açúcar e de algodão.
No continente africano, a
escravatura desencadeou uma gigantesca movimentação de populações. É de
salientar as perniciosas consequências sociais e econômicas deste tráfico que
privou as populações dos seus membros mais vigorosos e dinâmicos, paralisou o
desenvolvimento da atividade produtiva. A procura dum refúgio seguro e a
instabilidade verificada entre as populações causaram diversos movimentos
migratórios a uma escala variável com o tempo e o lugar. Foi, além disso, a
maior migração forçada intercontinental de sempre. Tornaram-se destrutivos os
efeitos dum círculo vicioso de trocas comerciais, armas de fogo por escravos, e
escravos por armas de fogo que seriam usadas na captura de mais escravos e,
assim por diante, indefinidamente. Muitos povos ocupam os seus atuais
territórios em consequências das deslocações provocadas pelo tráfico de
escravos. Desapareceram dos povoados os indivíduos mais jovens, mais vigorosos
e sãos. Tratando-se de populações essencialmente agrícolas, a produção e a
acumulação de bens alimentares mergulharam num caos generalizado, que destruiu
o processo produtivo. O tráfico de escravos instalou a guerra entre as tribos e
a violência no interior das próprias tribos. Os chefes do litoral passaram a
ver os seus súbditos como uma mercadoria e a guerrearem-se uns aos outros para
venderem os seus compatriotas. Os povos africanos eram impotentes perante as
armas de fogo dos negreiros europeus. As revoltas eram frequentes, mas selváticamente
reprimidas. É difícil de estimar a amplidão deste tráfico que se manteve
durante séculos a uma cadência acelerada.
Portugal conheceu o regime
de escravidão através das relações de comércio com mercadores árabes e a
transformação dos mouros vencidos na guerra em cativos ou servos. Era comum a
troca de prisioneiros mouros por escravos de pele escura, em proporção
favorável em quantidade aos portugueses. O apoio da Igreja garantia a
exploração tranquila de mão-de-obra escrava em projetos de produção agrícola
para exportação, como meio de compensar as despesas com as navegações. Por
volta do ano de 1460, começa a era do tráfico de escravos organizado através de
acordos direto com os régulos da África Negra, em nível de Estado para Estado.
O tráfico de escravos africanos adquiria um caráter de aquisição de força de
trabalho em massa para fins de produção e de comercialização através dum novo
entreposto africano de compra de escravos e ouro, a Fortaleza de S. Jorge da
Mina. O tráfico de escravos africanos, já em moldes comerciais, tornou-se uma
fonte de lucros. Com os descobrimentos marítimos, em breve os portugueses se
aperceberam de que havia muito a ganhar se, juntamente com outras mercadorias,
levassem também escravos, tanto mais que a tentativa de atingir as regiões
auríferas não correspondeu às suas expectativas. O comércio de escravos
tornou-se rapidamente a principal fonte de lucro. Os pontos de tráfico
estendiam-se a toda a costa africana e fazia-se mesmo duma região para outra.
Por Felix Santana
