Ubatuba é um município
brasileiro localizado no litoral norte do estado de São Paulo. A população
aferida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na contagem
estimativa de 2014 foi de 85 399 habitantes. O território municipal ocupa
710,783 km², 83 por cento dos quais localizados no Parque Estadual da Serra do
Mar. A densidade demográfica de 110,87hab/km². Ubatuba é um dos quinze
municípios paulistas considerados estâncias balneárias por cumprir determinados
requisitos definidos por lei estadual.
A cidade de Ubatuba está
localizada no litoral norte do Estado de São Paulo, distante 250 km da capital.
“Limita-se ao norte com Paraty
(Rio de Janeiro), ao sul
com Caraguatatuba, a oeste com Cunha, São Luiz do Paraitinga e Natividade da
Serra e a leste com o Oceano Atlântico, achando-se na latitude 23°26’21”,45. A
cidade é cortada pelo Trópico de Capricórnio, que atravessa a cidade, passando
em frente à pista do aeroporto local.
Ubatuba é cercada pela
Serra do Mar e sua exuberante Mata Atlântica. Quase oitenta por cento do
território da cidade de Ubatuba consiste em áreas de preservação. O Parque
Estadual da Serra do Mar, criado para proteger e preservar a mata atlântica,
tem três núcleos dentro de Ubatuba: Cunha-Indaiá, Santa Virgínia e Picinguaba.
Além disso, a cidade possui uma sede do Projeto TAMAR, destinada à conservação
das espécies de tartarugas-marinhas do litoral brasileiro.
Ubatuba é um dos quinze
municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São
Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual.
Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para
a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de
agregar junto a seu nome o título de estância balneária, termo pelo qual passa
a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas
referências estaduais.
Seu nome tem origem tupi
e há pelo menos duas interpretações para o nome. Em tupi, ubá significa canoa,
enquanto u'ubá significa cana-do-rio, que é uma gramínea que era utilizada na
confecção de flechas pelos índios.[7] [8] Como tyba indica
"ajuntamento"[9] , o nome da cidade pode significar tanto
"ajuntamento de canas-do-rio" quanto "ajuntamento de canoas”.
Enquanto os remanescentes tupinambás da Guanabara e de Cabo Frio se embrenharam
mata adentro, abrindo espaço para a fundação do Rio de Janeiro, a população da
região de Iperoig, em sua maioria, permaneceu em seus locais. Com o objetivo de
assegurar a posse portuguesa da colônia, o então governador-geral empreendeu um
esforço para colonizar a área. Assim, em 28 de outubro de 1637, a Aldeia de
Iperoig foi elevada a vila, com o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz
do Salvador de Ubatuba, subordinada à sessão norte da Capitania de Itanhaém.[15]
[16]
Ao longo do século XVIII,
a produção agrícola cresceu e a Baía de Ubatuba se transformou no mais
movimentado porto da Capitania de São Vicente [carece de fontes]. Em 1789,
entretanto, o governo de Lorena determinou que toda exportação deveria
ser feita pelo Porto de Santos, o que levou à primeira decadência
econômica de Ubatuba. O governador seguinte, Melo de Castro e Mendonça,
concedeu novamente o direito ao livre comércio da vila.
Ao longo do século XIX,
Ubatuba foi uma cidade rica, graças à atividade portuária. Em 1855, a cidade
passou de vila a comarca. Alguns exportadores cogitaram a construção de uma
ferrovia, para rivalizar com os portos de Santos e do Rio de Janeiro. Essa ferrovia
foi impedida pelo governo brasileiro, através de moratória [carece de fontes].
Com a gradual perda de importância para suas concorrentes mais bem abastecidas,
no final do século Ubatuba mergulhava em isolamento e decadência econômica.
Em 21 de abril de 1933, o
engenheiro Mariano Montesanti inaugurou sua rodovia descendo para Ubatuba a
partir de Taubaté, fazendo a primeira ligação por estrada com o planalto e o
vale do Paraíba. Essa estrada deu grande impulso ao turismo no litoral
recortado do município, principalmente da população de Taubaté. As casas de
veraneio passaram a abundar na cidade. Em 1948, Ubatuba conquistou a categoria
de estância balneária.
A especulação imobiliária
e turística, entretanto, contribuiu para a rápida destruição do patrimônio
histórico de Ubatuba. Hoje sobraram poucas mostras da ocupação antiga, com
talvez o exemplo mais destacado é Sobradão do Porto. Hoje, Ubatuba
resgata seu passado na cultura caiçara, nas ruas, nas festas de origem
portuguesa e nos edifícios históricos, revelando seu potencial como estância
balneária para o turismo.
Registros históricos
vinculados á própria história do Brasil.
Os índios tupinambás
foram os primeiros habitantes da região de Ubatuba. Eram excelentes canoeiros e
viviam em paz com os índios tupiniquins, da região de São Vicente, até a
chegada dos portugueses e franceses.
Os franceses mantinham
relações de escambo com os tupinambás e os incitaram contra os portugueses. Os
portugueses mantinham relações de escambo com os tupiniquins e procuravam escravizar
os tupinambás. Os tupinambás e os tupiniquins se organizaram formando a
Confederação dos Tamoios ( tamoios: os mais antigos da terra) e passaram a
enfrentar os portugueses. Foi nesta época que o alemão Hans Stadem ficou
prisioneiro dos índios e dessa experiência resultou o livro: "Duas Viagens
ao Brasil". Em 1563, os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta
partiram de São Vicente com destino a aldeia de Iperoig com missão de pacificar
os índios. Como os tamoios desconfiaram da palavra dos portugueses, Anchieta
ficou preso durante vários meses, enquanto Nóbrega voltou a São Vicente para
finalizar o tratado "A Paz de Iperoig" ( primeiro tratado de paz
firmado nas Américas). Anchieta enquanto prisioneiro escreveu na areia da Praia
do Cruzeiro, o célebre poema: "Poema À Virgem".
Com a paz restabelecida,
o Governador Geral do Rio de Janeiro, tomou providências para colonizar a área,
com a intenção de assegurar a posse para a colônia de portugueses. A aldeia foi
elevada a categoria de Vila em 28/10/1637 com nome de Vila Nova da Exaltação da
Santa Cruz do Salvador de Ubatuba.
Os povoadores
gradativamente instalaram-se ao longo da costa utilizando o mar como principal
meio de transporte. Ainda hoje são encontradas ruínas de fazenda nas planícies,
nos recôncavos das baías e enseadas e nas ilhas que defrontam o litoral.
A prosperidade das
fazendas refletiu nos centros urbanos, onde construções começaram a surgir e
pequenas indústrias se instalaram engenhos de açúcar, serrarias, fornos de
olaria, estaleiros e embarcações.
Em 1787, o Presidente da
província de São Paulo decretou que todas as embarcações do litoral fossem
obrigadas a se dirigirem a Santos, onde, aliás, os preços obtidos eram bastante
inferiores. A partir dessa pressão do governo, Ubatuba entrou em franca
decadência com fazendeiros, abandonando muitos canaviais. Quem ficou, cultivou
apenas o necessário para a subsistência.
Em 1808, a Família Real
Portuguesa, fugindo das tropas napoleônicas transferiu-se para o
Brasil devido a pressão dos ingleses que ajudaram na fuga. D. João abriu
os portos brasileiros ao comércio estrangeiro e beneficiou diretamente o porto
de Ubatuba. O comércio reacendeu suas atividades através do café, recentemente
trazido do Norte do Brasil, do ressurgimento dos canaviais, do fumo e dos
cereais. O movimento do porto de Ubatuba intensificou-se passando para o
primeiro lugar no litoral Norte, ajudado pela estrada da serra que ligava
Ubatuba ao Vale do Paraíba, via Taubaté, uma estrada que chegou a ser calçada
com pedras naturais para sustentar o intenso tráfego de burros carregados de
mercadorias. Inúmeras fazendas se instalaram ao longo da costa, a maioria hoje
lembrada apenas pela presença de algumas ruínas ou pelo nome dado a praia ou ao
local, Lagoa, Lagoinha (ruínas do moinho e da fábrica de garrafas), Picinguaba,
Maranduba, Jundiaquara, Ubatumirim, etc. Na cidade ergueram-se sobrados que
atestavam os recursos fartos dos comerciantes. Hoje sobra apenas o Casarão do
Porto, antiga residência e armazém de Manoel Baltazar Fortes; hoje sede da
FUNDART - Fundação de Arte e Cultura. Os outros foram demolidos em nome do
progresso. Ubatuba viveu seu apogeu no decorrer do império até os primórdios da
República. Quando a estrada de ferro D. Pedro II foi construída entre o Rio de
Janeiro e São Paulo desviando as exportações do porto de Ubatuba, a cidade
entrou em crise novamente. Uma tentativa de construir uma ferrovia entre
Taubaté e Ubatuba foi vista com muita esperança sendo importados trilhos da
Inglaterra, porém o Governo Federal do Presidente Floriano Peixoto suspendeu a
garantia de juros sobre o valor do material importado, provocando a falência do
Banco de Taubaté, e, em consequência a da Companhia Construtora. Com o
fracasso da estrada de ferro, Ubatuba entrou em franca decadência. A
população diminuiu até 2.000 (duas mil) pessoas. A estrada da serra sumiu no
meio do mato e o tráfego marítimo foi reduzido a um navio de dez em dez dias,
no caminho entre Santos e Rio de Janeiro. Ubatuba virou uma cidade isolada
necessitando uma viagem de seis dias para chegar a São Paulo e uma viagem de
dois dias de mula para subir a serra até Taubaté. Não havia estrada terrestre
ao longo do litoral, e toda a comunicação era feita através de canoas. Uma
tentativa de atrair colonos europeus fracassou e tudo que resta hoje é a
Estação Experimental ( Horto Florestal ). Depois de várias tentativas e
movimentos, foi conseguida no dia 21 de setembro de 1982 uma tentativa nova,
ligando Ubatuba a Taubaté. A energia chegou em 1969 depois da instalação da Petrobrás
em São Sebastião.
Obs: Em 1554 passou de
Vila a Distrito e em 28/10/1637 passou a Município, portanto, data de sua
fundação. Em 1972 tornou-se COMARCA, por força da Lei Estadual nº 163 de
27/09/1948 passou a Estância Balneária.
Chegando às terras brasileiras,
os europeus estabeleceram várias imagens sobre os indígenas, os primeiros povos
a ocuparem o território americano. Não raro, os europeus modernos entendiam que
os índios eram sujeitos que viviam em estágios primários do processo
civilizatório. Em alguns relatos – principalmente naqueles em que o contato era
pacífico – os índios eram descritos como portadores de certa inocência, como se
fossem crianças que poderiam vir a “amadurecer” e, com o passar do tempo,
partilhar dos valores do Velho Mundo.
Por outro lado, a visão
construída pelos europeus em relação aos indígenas também foi marcada por
noções em que as populações nativas eram compreendidas como animais ou “feras
selvagens” que não poderiam ser civilizadas. Essas visões intolerantes apareciam
nas situações de conflito, quando a chegada europeia ao território brasileiro
era mal vista. Além disso, esse discurso que animalizava o indígena ainda
ganhava força quando as práticas antropofágicas foram descobertas. Esse tipo de
visão não levava em consideração que a prática antropofágica entre boa parte
dos índios tupinambás acontecia por razões que ultrapassavam a função biológica
do alimento. O consumo de carne humana acontecia como um resultado de ações
simbólicas desenvolvidas em situações de guerra entre diferentes povos. O mais
interessante é notar que esse ato era realizado em uma situação festiva.
Após o aprisionamento de um guerreiro inimigo,
os tupinambás ofereciam uma mulher para casar com o prisioneiro. No dia do
sacrifício, uma grande festa era realizada para que o consumo de carne humana
acontecesse. A expectativa dos participantes envolviam valores bastante
peculiares em relação aos da cultura do Velho Mundo. Em primeiro lugar, essa
morte era considerada positiva pelo próprio guerreiro conquistado, pois o
inevitável fim da vida seria consagrado pela experiência de conflito. Por outro
lado, ao consumir a carne do guerreiro, os membros da comunidade esperavam
vingar os seus antepassados ao poder consumir a carne do prisioneiro. O responsável
pela execução não poderia consumir a carne e, depois de matar o preso, ficava
uma época resguardado e trocava o seu nome. As carnes mais duras eram secadas e
comidas pelos homens. Já as partes mais moles eram cozidas e consumidas pelas
mulheres e crianças da comunidade. A experiência colonial e, principalmente, o
processo de conversão religiosa organizado pelos portugueses acabou extinguindo
a prática do canibalismo entre os tupinambás. Desse modo, esse modo de
reafirmação da identidade através da conquista do outro ficou depositada no
passado. Contudo, muito longe de animalizar o homem, o ritual tupinambá
destacava como a ritualização da guerra, da vida e da morte eram extremamente
complexas a tais povos. Por Rainer Gonçalves Sousa.

